...Para além daquele altar coberto de cinzas,
Adão e Eva contemplam demoradamente o saudoso paraíso.
Ainda que distantes em seu exílio, alegram-se com a certeza
de que o sacrifício do Messias fará raiar para eles
o sábado dos sábados: aquele de lágrimas para
sempre banidas; de sol sempre a brilhar num límpido céu;
de cordeiros sempre vivos a brincar pelo gramado; dia sem anoitecer,
quando não haverá mais altar coberto de sangue e cinzas.
Suspiram por esse dia de glória, quando Deus
Se fará eternamente visível, levando nas mãos
as marcas de Seu infinito amor pelos Seus filhos.
Adão
e Eva que estavam acostumados às flores eternas no paraíso,
aquelas que não as viram desabrochar, viam-nas agora surgirem
em tenros botões, em meio às ameaças de espinhos
prontos a ferirem. Essas tenras flores, sem importarem-se com os espinhos,
exalavam perfumes suaves de louvor e gratidão, jamais se cansando
de agradar o ambiente. Quando fustigada pelos ventos frios da noite,
essas flores não se ressentiam, mas ofereciam seu aroma, que
transformava a fúria dos ventos em brisas perfumadas de um alvorecer.
Movidos
por profunda gratidão, o casal acompanhava atentamente o ministério
de amor daquelas flores que, jamais se cansavam de abençoar,
oferecendo sua beleza e perfume como alívio para aqueles que
eram feridos pelos rudes espinhos.
Aquelas
flores singelas e puras, depois de mostrar em sua curta vida que o perdão
e o amor são mais fortes que todos os ventos e espinhos, num
último esforço de comunicar alegria, exalavam seu perfume,
tombando murchas e sem vida sobre o solo frio.
Ali, esquecidas, transformavam-se em insignificante pó que era
espalhado pelo vento.
A
morte das flores, ainda que parecesse fracasso, revelou ao casal o mistério
do renascimento da vida: Morrendo, as flores davam vida aos frutos que,
por sua vez, depois de servirem de alimento, doavam suas sementes cheias
de vida.
Na morte dessas sementes, renascia o milagre da vida, multiplicando
as árvores com suas flores prontas a repetir o ensinamento do
amor e do sacrifício.
A
natureza, portanto, embora maculada pelo pecado, revelava o mistério
oculto do plano da redenção.
Cada flor a desabrochar em meio aos espinhos, em sua curta vida de amor,
era um símbolo do Salvador que nasceria entre os espinhos da
maldade, para com o seu perfume consolar o coração dos
aflitos.
Semelhante à flor, o Messias depois de provar que o amor e o
perdão são mais fortes que todos os ventos do ódio;
que a verdade e a justiça do reino de Deus são maiores
que todos os enganos e injustiças do reino do inimigo, verteria
a seiva de sua vida, morrendo para redimir os culpados.
Consolados
pelas revelações da natureza, Adão e sua companheira,
aprendiam a cada dia a amar mais o Salvador.
Cresciam em sabedoria, humildade e santidade. Todas as virtudes destruídas
pelo pecado, renasciam no coração.
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